No dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, o município de Nova Olinda do Norte – a cerca de 10 horas de barco de Manaus/AM – sediará o Colóquio Fés e Vidas: Conexões entre Saberes e Olhares na Amazônia. A organização, que conta com a participação do Ir. Francisco Arnold, descreve o evento como o primeiro deste porte e formato a celebrar a data no interior do Amazonas: um diálogo inter-religioso e intersetorial de alcance internacional que, pela primeira vez, chega à Calha do Rio Madeira em linguagem acessível ao público local, e não como um encontro fechado entre especialistas.
A programação do dia, gratuita e híbrida, é dividida em três momentos – e também conta com uma participação marista. Pela manhã, no auditório da Câmara Municipal, dois painéis internacionais e nacionais estruturam o debate. O primeiro, Cuidado com a Casa Comum e Espiritualidades, é um mosaico de falas remotas de lideranças religiosas do Canadá (Rev. Emile Smith) e da Colômbia (Sulman Hincapié), pela SICSAL, e da Venezuela (Enoé Texier) e dos Estados Unidos (Lauren Van Ham), pela United Religions Initiative (URI).

O segundo painel, Laicidade do Estado, Eco-espiritualidades e Combate ao Racismo Religioso na Amazônia, reúne em mesa redonda o professor Renato Souza, da Rede Amazonizar, o Dr. Elianildo Nascimento, advogado especialista em Direitos Humanos e Laicidade, o professor e Irmão Marista Afonso Murad, e a jornalista Jane Vasconcelos, representando a IRI Brasil. À tarde, na Escola Municipal Lírio do Vale, o conteúdo se transforma em oficinas simultâneas conduzidas pelos próprios mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC-Goiás (Minter Manaus), organizadas por público: educadores, lideranças indígenas e ribeirinhas, e lideranças religiosas.
Um dos pontos de maior apelo do dia é a presença confirmada da Interfaith Rainforest Initiative Brasil (IRI Brasil), plataforma internacional multirreligiosa lançada em 2017 com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), hoje ativa em cinco países de floresta tropical. A organização leva a Nova Olinda do Norte o lançamento de uma campanha de proteção às florestas amazônicas e uma experiência de imersão virtual na Amazônia por óculos de realidade virtual 360°, aberta à comunidade presente – um recurso que a própria IRI Brasil já usa em outras regiões para aproximar quem nunca esteve na floresta da realidade de quem vive nela.
O caráter intersetorial do encontro se estende à composição do público e se confirma pela presença de lideranças indígenas de várias etnias e lideranças ribeirinhas, que também ocupará um espaço de feira e venda de artesanato Indígena ao longo do dia. Educadores da rede pública, lideranças de terreiro, ribeirinhos e representações religiosas plurais completam um público que a organização descreve como propositalmente heterogêneo, o ponto de partida do projeto é justamente reunir, num mesmo espaço e em condição de igualdade, saberes que raramente dialogam entre si.
A realização é da Rede Amazonizar em parceria com a PUC-Goiás, UniLaSalle Manaus, URI, Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), AMARN Numiá Kura, Marista e IRI Brasil. O evento conta com a acolhida direta do poder público municipal de Nova Olinda do Norte, Prefeitura e Câmara Municipal, acolhe o evento cedendo os dois espaços de realização e apoiando a logística local.
“É a primeira vez que um diálogo desse nível chega à Calha do Rio Madeira, e ele chega para ser compreendido por todos, não só por especialistas. Isso é o que torna o Dia da Amazônia, este ano, diferente aqui como um caminho que caminha e nos ajuda a esperançar”, afirma Revdo. Iuri Lima, coordenador da Rede Amazonizar e mestrando da PPGCR/PUC-GO.
O dia se encerra às 17h com um ato simbólico às margens do Rio Madeira, quando será lida a Declaração do Rio Madeira, documento produzido coletivamente pelos próprios participantes a partir do que for debatido nos painéis e oficinas. A organização descreve o texto como o verdadeiro produto do encontro: não um relatório redigido de fora para dentro, mas uma síntese que nasce da escuta do território ao longo do próprio dia.





