Voluntários maristas de Compostela vivem experiência transformadora em Lábrea e Camaruã/AM

Camarua

Durante 40 dias, entre julho e agosto, cinco jovens e um Irmão Marista da Província de Compostela, na Espanha, viveram uma experiência de voluntariado internacional em plena Amazônia brasileira. A missão foi realizada por meio da ONG Solidaridad, Educación, Desarrollo (SED) e levou o grupo a duas realidades distintas do interior do Amazonas: Lábrea e Camaruã.

Em Lábrea, Clara Vázquez, Xiana García e o Ir. José Luis Carvalho atuaram no Centro Social Esperança, onde desenvolveram oficinas, visitaram comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas, animaram celebrações, participaram de círculos bíblicos e contribuíram com a formação de professores e atividades junto aos educandos. Já em Camaruã, Jorge Sampedro e Julia Canedo dedicaram-se ao apoio das ações do Projeto Eheve, com gincanas, esporte, oficinas e reforço escolar, além de participarem de semeaduras, visitas a aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas e formações para professores.

Camaruã

Um caminho que não se percorre sozinho

Para Jorge, a experiência em Camaruã se traduziu em uma metáfora de caminho: um percurso vivido em comunhão com a natureza e com as pessoas que o acolheram.

“Foi um caminho especial, um caminho que nunca antes tinha percorrido. Um caminho repleto de novas experiências, algumas muito agradáveis e outras nem tanto. Um caminho em que a união entre o eu e a natureza não se sabia bem onde começava nem onde acabava”, relata.

Ele descreve o que leva consigo da vivência amazônica:

“Deste caminho levo comigo muito mais do que pude contribuir: levo abraços eternos, levo olhares embelezados, levo sorrisos feitos com o coração, levo o calor do povo amazônico.”

E resume o sentimento que carrega desde então:

“Levo comigo, impregnado no mais profundo do meu ser, um perfume especial que sempre me fará lembrar do tempo em que fiz parte do Amazonas, do tempo em que pude ser mais um amazonense.”

O tempo próprio da Amazônia

Xiana chegou ao Brasil depois de uma década amadurecendo o desejo de viver um voluntariado internacional. A viagem em si já foi a primeira lição:

“A primeira lição que a Amazônia me ensinou foi que aqui tudo tem seu próprio ritmo, mais tranquilo e pausado, sem a pressa e a correria às quais eu estava acostumada.”

A estadia do grupo em Lábrea foi dividida em duas fases, conforme o calendário escolar. Nas duas primeiras semanas, período de férias escolares, o grupo se dedicou a conhecer a cidade, visitar aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas, participar de celebrações e realizar formações com professores. Já nas duas últimas semanas, com a retomada das aulas, a rotina passou a incluir a presença diária no Centro Social Esperança, espaço que oferece oficinas de crochê, costura, violão, teclado, esportes, culinária, informática, artes plásticas e trabalhos com madeira para crianças em situação de vulnerabilidade social.

Lábrea

Sobre essa vivência mais próxima das crianças atendidas pelo Centro, Xiana reflete:

“Muitas vezes, não são necessárias grandes ações nem coisas materiais para alegrar o dia dos outros. Simplesmente estar presente, ouvir e prestar atenção já é suficiente, e isso é algo que todos podemos fazer, mesmo em nossa própria cidade.”

Após as quatro semanas em Lábrea, o grupo ainda navegou por três dias e meio até Manaus, onde conciliou momentos de turismo com ações de serviço, como distribuição de alimentos e participação em celebrações, antes de retornar à Espanha.

Um aprendizado para além da Amazônia

Ao olhar para os 40 dias vividos, Xiana destaca que a experiência não se resume às diferenças culturais entre Brasil e Espanha, mas ao encontro humano que ela proporcionou:

“Em Lábrea as pessoas são pessoas como qualquer outra, com sua casa, sua família, seus trabalhos e suas tarefas do dia a dia.”

E conclui com uma reflexão que resume o espírito da missão:

“Um voluntariado dessa duração consiste mais em estar presente, ouvir, abrir os olhos e aprender, em fazer a outra pessoa sentir que é importante, e isso, afinal, também podemos fazer na nossa realidade local. Portanto, daqui para frente, pretendo me envolver muito mais em projetos locais, porque as necessidades estão em todos os lugares, não é preciso atravessar o Atlântico para encontrá-las.”

A experiência dos voluntários da Província de Compostela reforça o alcance da missão marista, que une continentes em torno de um mesmo compromisso: estar presente onde há necessidade, semeando esperança e solidariedade.

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