Entre a memória e o horizonte: quarto dia do Fórum Regional escuta os chamados do XXIII Capítulo Geral e inicia a revisão do Plano Estratégico

DSC

Se os primeiros dias do Fórum Regional foram dedicados a olhar para dentro e para os desafios da reconfiguração, o quarto dia, nesta quinta-feira, 20 de agosto, no Cecrei, em São Leopoldo/RS, propôs um movimento mais amplo: olhar para trás, para reconhecer de onde viemos, e para a frente, para decidir a que futuro nossos projetos devem servir.

“Não são cinco temas para repartir entre equipes”

A manhã começou com o momento de oração conduzido pela Equipe de Formação Permanente e com a abertura feita pelos responsáveis do dia, que retomaram os principais fios da jornada anterior. Na sequência, Ângelo Ricordi apresentou aos participantes a obra L’Hermitage: 200 anos de vida e missão marista, publicação que celebra os dois séculos da casa que se tornou símbolo do início da vida em comunidade dos primeiros Irmãos.

O Espaço de Formação ficou a cargo do Ir. Beto Rojas, Conselheiro Link, que apresentou os Apelos do XXIII Capítulo Geral para a Região. Partindo da mensagem capitular Construtores de um Novo Hermitage e do lema Lar para todos, rio da vida!, ele apresentou os cinco chamados que o Capítulo dirige ao Instituto: construtores de uma espiritualidade viva, construtores de uma cultura vocacional, construtores de comunhão, construtores de uma liderança servidora e semeadores da boa nova.

A advertência veio em seguida e deu unidade a todo o conjunto: não são cinco temas para repartir entre equipes, mas um único chamado à transformação. Na mesma direção, o Ir. Rojas propôs ao Fórum uma troca de pergunta – deslocar-se do “qual cenário eu prefiro?” para a questão mais exigente: “a qual futuro marista qualquer cenário, objetivo ou projeto deve servir?”.

“A visão de um Novo Hermitage nos convida a olhar além e a caminhar com ousadia, ternura e esperança.” – Mensagem do XXIII Capítulo Geral, 2025

Ousadia, ternura e esperança foram traduzidas de forma concreta: a ousadia de afirmar que vale a pena ser marista hoje; a ternura como alívio aos corações cansados; e a esperança como fraternidade oferecida ao mundo inteiro. Ao final, os participantes foram convidados a uma reflexão pessoal: qual chamado mais me interpela? Onde percebo que a América Sul já o está vivendo? E o que preciso deixar para trás para responder com mais decisão?

Cartografia: as origens como chave de leitura do presente

O dia seguiu com a apresentação da Cartografia das Origens da Presença Marista na Região América Sul, pesquisa colaborativa da Rede de Centros de Memória Marista, conduzida por Gabriella Figurelli, Belén Pissarello e Lorena de Oliveira. O trabalho nasceu de uma inspiração do Simpósio Fuentes y Manantiales, realizado em Roma em dezembro de 2023, e traz uma pergunta simples e desafiadora: o que nos conecta como maristas sul-americanos?

A apresentação começou de forma lúdica, com perguntas sobre os primeiros passos dos Irmãos no continente – as atividades educativas iniciais no Brasil, a passagem por Nova York para o estudo do inglês, a viagem que saiu da França rumo à Argentina e fez escala na Espanha para o aprendizado do idioma, e a presença decisiva de Irmãos de origem alemã nos primeiros anos. Histórias que revelam trajetórias marcadas tanto por planejamento quanto por desvios inesperados.

Conheça a Cartografia da Regiãowww.cartografia.regiaoamericasul.org.

Mais do que reunir datas, a pesquisa busca ampliar o conhecimento e a comunicação da trajetória da missão marista na Região, fortalecendo a interculturalidade e a identidade institucional. A primeira fase entregou dois produtos já disponíveis – um mapa interativo e uma linha do tempo, acessíveis em cartografia.regiaoamericasul.org. A segunda fase, em andamento, avança para publicações e material audiovisual, e aprofunda temas como as reconfigurações provinciais e as relações entre os grupos de Irmãos pioneiros e a administração geral do Instituto.

De 2016 a 2026: como se constrói uma Região

O dia também foi marcado pela exibição do vídeo institucional da Região América Sul e por uma retomada do próprio percurso regional: da Conferência Internacional de Provinciais Americanas, em Curitiba (2015), à I Assembleia Regional em Florianópolis (2016), quando a Região foi fundada; das assembleias em Montevidéu, Porto Alegre e Cochabamba aos Fóruns Regionais de Mendes, Luján e, agora, São Leopoldo. Os Estatutos da Região América Sul, aprovados pelo Superior-Geral e seu Conselho, definem-na como uma estrutura de colaboração, solidariedade e interdependência entre as Províncias, com uma finalidade clara: fortalecer a vitalidade da vida e da missão marista a serviço das crianças e dos jovens. A pauta foi conduzida por Leonardo Soares e Cecília Crévola.

Animação vocacional e a revisão do Plano Estratégico

No início da tarde, Ir. Luciano Taminski apresentou as Diretrizes da Animação Vocacional para a Região e o lançamento do Guia de Animação Vocacional da Região América Sul.

O restante do dia foi dedicado ao trabalho conduzido por Marcelo Cordeiro: a revisão do Plano Estratégico da Região América Sul, com perspectiva até 2028. O ponto de partida foi uma provocação de Richard Barrett – organizações não mudam; o que mudam são as pessoas, que mudam as organizações – e uma distinção prática entre dois tipos de gestão: a que mantém o dia a dia, a rotina e os incêndios, e a que faz crescer, com tempo de reflexão, projeção e inovação.

A proposta metodológica combinou investigação apreciativa, teoria da mudança e a estratégia das três caixas: criar o futuro, gerenciar o presente e esquecer o passado – abrir mão de práticas que sustentam a organização hoje, mas comprometem seu amanhã. Ficou definido o que se mantém e o que se revisa: princípios e manifesto permanecem; objetivos, portfólio de projetos, atividades e equipes entram em revisão, à luz dos elementos do Capítulo Geral e das implicações da reconfiguração.

Os participantes foram convidados a avaliar, em exercícios coletivos, os quatro eixos estratégicos da Região – vocações de Irmãos e leigos maristas; sustentabilidade da vida e da missão; identidade, liderança e corresponsabilidade; e cooperação, interculturalidade e internacionalidade -, indicando os avanços de cada objetivo e se ele deve ser mantido, modificado ou excluído.

Entre a memória dos que chegaram de barco e a projeção de uma Região que se reconfigura, o quarto dia deixou uma síntese que atravessou a jornada inteira – e que o Ir. Weibert, citado durante a tarde, resumiu em três palavras: pouco, bem e sempre.

O dia finalizou com uma bela apresentação dos educandos do Centro Social Marista Ir. Antônio Bortolini.

Compartilhar artigo

Categorias

Vocação
Vida Partilhada
Sustentabilidade
Solidariedade
Social
Sem categoria

Últimas publicações

Agenda Institucional Marista

Fique por dentro do que acontece na Rede Marista

Você também pode gostar