Entre os dias 14 de julho e 8 de agosto, Luís Felipe Rech, estudante do curso de Medicina da PUCRS, participou do projeto Voluntariado Marista em Terras Amazônicas, vivenciando 25 dias de imersão no município de Tabatinga/AM e arredores, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
“Fazer parte do Voluntariado Marista em Terras Amazônicas foi fundamental para conhecer um outro Brasil. Foram 25 dias de muitas trocas, partilhas, cuidado, fraternidade, escuta, aprendizado e convivência”, resume o estudante.
Saúde, território e povos indígenas
Ao longo da experiência, Luís Felipe teve contato direto com diferentes realidades de atendimento à saúde indígena e urbana, especialmente na região do Umariaçú, além de conhecer o complexo regulatório de saúde e o funcionamento do Samu, que atende nove municípios circundantes. A vivência também incluiu visitas à sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e diálogos com a Coordenação Indígena do Alto Solimões sobre o trabalho de cuidado com os povos indígenas do território.
Cultura e fé na comunidade Tikuna
Um dos momentos marcantes foi a passagem pela comunidade Tikuna (Maguta), na Amazônia colombiana, onde o grupo vivenciou danças, esportes e artesanatos típicos. Nas missas, celebradas em um misto de espanhol e língua nativa, os cantos litúrgicos entoados na língua tikuna revelaram um movimento cultural e religioso que se intensifica na região, fortalecido pelas conexões entre as comunidades indígenas da tríplice fronteira. Houve ainda tempo para diálogos com o Padre Fernei e lideranças locais sobre caminhada vocacional, cultura e vida eclesial.
Travessia pelos rios até Benjamin Constant
De barco, pelos rios Solimões e Javari, o grupo chegou a Benjamin Constant, onde visitou os Freis Capuchinhos e o campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), conhecendo ações universitárias e de inovação desenvolvidas na região.

Partilha, celebração e contemplação
As atividades foram permeadas por momentos de partilha, feedbacks, celebrações e vivências comunitárias simples e fraternas. Entre elas, encontros com crianças e articulações com foco na ecologia integral. Ao final da experiência, a viagem de retorno, de Tabatinga a Manaus, durou três dias de descida pelo rio Solimões, um tempo de repouso contemplativo que se tornou fonte de inspiração para novas iniciativas voltadas ao cuidado da Amazônia.
“A vivência em Tabatinga reforçou em mim o compromisso com a construção de um mundo mais justo e igualitário, com a defesa da saúde pública integral, dos povos originários e da garantia de direitos”, afirma Luís Felipe.

Para o estudante, a convivência com os Irmãos Maristas, com a comunidade local e com as diferentes pessoas encontradas ao longo do caminho ampliou sua compreensão sobre cuidado, acolhimento e afeto.
“Volto para casa levando comigo muito do que aprendi, das pessoas que conheci e, sobretudo, um pouco daquilo que São Marcelino Champagnat buscou construir. Mais do que uma experiência de voluntariado, foi uma experiência de vida, que levarei comigo na minha trajetória pessoal, acadêmica e profissional.”





