No dia 28 de maio, a Rede Marista promoveu, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a 6ª Conferência Marista sobre Enfrentamento à Violência Sexual Infantojuvenil. Com o tema A relação do fenômeno da adultização com a violência sexual infantojuvenil, o evento reuniu profissionais, pesquisadores, estudantes e representantes de diferentes instituições para refletir sobre desafios contemporâneos e fortalecer estratégias de prevenção, proteção e garantia de direitos de crianças e adolescentes.
Realizada pelo Centro Marista de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, a Conferência contou com a parceria de organizações e instituições comprometidas com a pauta da proteção integral, promovendo um espaço de diálogo qualificado sobre os impactos da adultização na infância e adolescência, especialmente diante das transformações trazidas pelos ambientes digitais.
Na abertura do encontro, o vice-presidente da Rede Marista, Ir. Romidio Siveris, destacou a importância da mobilização coletiva em defesa da infância e da adolescência. Ir. Sandro Bobrzyk, coordenador do Centro Marista, deu as boas-vindas às mais de 200 pessoas presentes no auditório do Prédio 11, falando sobre o importante retorno da Conferência ao formato presencial – com proximidade, escuta e troca de experiências, marcas que caracterizavam a primeira edição do evento.

Adultização e seus impactos
Ao longo da manhã, especialistas abordaram diferentes aspectos relacionados ao fenômeno da adultização e suas conexões com a violência sexual infantojuvenil. O primeiro painel, mediado por Graciele Silva de Matos, assessora de Políticas Sociais e Advocacy da Área de Solidariedade da Rede Marista, reuniu a psicóloga e pesquisadora Luísa Habigzang, da PUCRS, e a antropóloga Paula Alegria, da Plan International Brasil.
As palestrantes analisaram como práticas sociais, culturais e midiáticas contribuem para a antecipação de experiências, responsabilidades e expectativas próprias da vida adulta, impactando o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes e ampliando situações de vulnerabilidade.
Na sequência, o painel Adultização e violência sexual: caminhos para prevenção e proteção aprofundou o debate sobre os efeitos da exposição precoce a conteúdos inadequados e os desafios para a construção de ambientes seguros e protetivos. Participaram da discussão a pesquisadora Andreia Mendes dos Santos, coordenadora do Laboratório das Infâncias da PUCRS, e o psiquiatra Thiago Pianca, especialista em infância e adolescência.
Proteção no ambiente digital
Durante a tarde, a programação trouxe para o centro das discussões a responsabilidade coletiva diante dos desafios impostos pelo ambiente virtual. O painel O ECA digital e a responsabilidade no ambiente virtual reuniu o delegado Raul Souza Vier, a promotora de Justiça Cristiane Corrales e a psicóloga Juliana Cunha, da SaferNet Brasil.
Os palestrantes abordaram temas como segurança digital, prevenção de violências online, responsabilização de plataformas e a importância da atuação articulada entre famílias, escolas, instituições públicas e sociedade civil para garantir a proteção de crianças e adolescentes nos espaços digitais.
A programação também contou com uma apresentação cultural do Coletivo Luísa Marques, iniciativa formada por mediadoras de leitura que desenvolvem ações voltadas à promoção dos direitos de crianças e adolescentes. A atividade reforçou a potência da cultura, da educação e da participação juvenil como ferramentas de prevenção e transformação social.
Compartilhando experiências e fortalecendo redes
Encerrando a Conferência, o momento de boas práticas apresentou experiências que atuam diretamente no enfrentamento à violência sexual infantojuvenil. Foram compartilhadas iniciativas do Coletivo Luísa Marques, do Programa Libertar, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul e do Ministério Público do Estado.
As apresentações evidenciaram a importância da atuação em rede e da construção de estratégias integradas para a promoção dos direitos e a proteção de crianças e adolescentes em diferentes contextos.
Ao final do evento, a assessora Jacqueline Camillo Fernandes, da Assessoria de Proteção à Criança e ao Adolescente da Rede Marista, reforçou que os debates sobre adultização, proteção digital e enfrentamento às violências não se encerram com a Conferência, mas seguem como um compromisso permanente das instituições e dos profissionais que atuam na garantia dos direitos da infância e da adolescência.
A 6ª Conferência Marista reafirmou o compromisso da Rede Marista com a defesa incondicional da vida, da dignidade e dos direitos de crianças e adolescentes, fortalecendo redes de proteção e inspirando ações concretas em favor de uma sociedade mais justa, segura e acolhedora para todos.





